quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O veneno da madrugada - García Márquez

"[...] 'Terça-feira, quatro de outubro', pensou; e disse em voz baixa:
- São Francisco de Assis.
Vestiu-se sem se lavar e sem rezar. Era um homem grande, sanguíneo, com uma pacífica figura de boi manso, e movia-se como um boi, com gestos densos e tristes. Depois de endireitar os botões da batina, com a lânguida atenção de dedos que experimentam as cordas de uma harpa, puxou a tranca e abriu a porta do pátio. Sob a chuva, os nardos lhe fizeram recordar as palavras de uma canção.
- 'O mar crescerá com as minhas lágrimas'- suspirou."

Impressionante como García Marquez consegue ser impecável na harmonia das palavras. Todos os começos dos seus livros me causam um alvoroço profundo e sensações tão impactantes, que em um segundo já me teletransportei pra dentro da carne e dos ossos da narrativa. Me dá aquela ânsia incurável de querer saber quem é esse personagem, como ele vive, o que faz, quem ama... ou melhor que isso, em uma só frase já construí sua vida inteira com minha imaginação.
A verdade é que ler me arranca do mundo desde criança, e nem de longe é algo que eu faça antes de dormir quando estou sem sono. Mas alguns autores parecem até conversar com a gente; é o verdadeiro regojizo da alma.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brasília 2

É inegável o fato de que a leitura mantém sempre acesa a vontade de escrever.

Hoje o dia esteve tão quente e tão parado. Ontem fui dormir com o coração apertado de saudade e hoje, por faltar pouco, me veio uma espécie de alívio quando acordei. O tempo passou rápido em alguns aspectos, como esperado. Mas tão estranhamente devagar em outros... eu tenho sentido uma saudade atípica da minha casa e da rotina, mesmo que antes tivesse achando ótimo ter que fugir  por esses poucos dias do mundo e das cobranças.

Queria estar mais segura pra voltar. Quando a noite chega eu me sinto tão menos corajosa.

domingo, 26 de agosto de 2012

Brasília 1

Eu estou à passeio em Brasília há alguns dias. Tem sido tão delicado e divertido passar um tempo com o meu pai... sempre que nos vemos de novo, é como se estivéssemos nos conhecendo. Fazia 2 anos desde a última vez e é engraçado como a vida pode mudar em tão pouco tempo; até mesmo quando não se é mais tão jovem assim.

Ontem conheci a cachoeira do "Salto do Itiquira". Sem dúvida um dos lugares mais lindos que já fui. Quando a água chega embaixo bate em algumas pedras e joga pingos por toda parte; é como se estivesse constantemente chovendo quando a gente chega perto. Em dias de sol, os raios solares refletem nessa "chuva", fabricando vários arco íris. Parece que a gente está dentro de um sonho ou coisa parecida... sem contar com a vista deliciosa de baixo, que é da água caindo de um penhasco altíssimo! Chega a deixar a gente meio tonto. 
É lindo também como as andorinhas sobrevoam todo o lugar (onde o vento sopra com muita força levando os pingos) como se estivessem se banhando ao sol e água. É uma delícia vê-las indo e voltando, sobrevoando o céu de um azul infinito.

Os dias têm sido de um sol quente combinado com um vento frio cortante. O clima e todo o aspecto geral da cidade é tão dicotômico pra mim... ás vezes é gostoso ficar embaixo do sol, até em dias quentes, mas tão      agoniante em certa maneira o ar extremamente seco. A cidade é em alguns pontos linda e arborizada, com lugares praticamente desertos, o que é interessante, mas deixa uma sensação de vazio. Não existem pessoas nas ruas... elas não estão a toda hora atravessando os sinais nem se esbarrando nas calçadas, elas simplesmente não estão.

Sinto falta do meu canto, do meu quarto, das pessoas, da minha gata... ao mesmo tempo que gostaria de passar mais tempo longe da minha própria vida, turbulenta como está.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

fotografias

Meus últimos dias (em fotos).


Minha mãe esteve organizando alguns dos nossos tecidos de costura. O jardim fica lindo quando ela coloca eles pra secar.
Fiz biscoitos, uma das únicas coisas que sei cozinhar.

Yuri (adorei as cores dessa foto)
Viajamos pra Campina Grande. Eu gosto daquela cidade por tantos motivos que não sei explicar...

Cristal veio dar "bom dia" e acabou pegando no sono entre eu e Bela haha


Eu continuo com essa mania de fotos de estrada. Deve ser porque cada vez que olho pra elas, sinto como se tivesse viajando de novo.

Stay gold.
(minha mãe) Fomos ver uma exposição de Krajcberg. Eu fiquei sinceramente encantada com o quão impactante ele consegue ser.

Ele é um artista com ideias políticas muito bem colocadas. Havia um corredor com diversas de suas frases escritas nas paredes.

domingo, 15 de julho de 2012

Anna Gray and Ryan Wilson Paulsen

100 Posterworks

"Drawing on the histories of conceptual art, activism and advertising, this collection of 100 black and white images, each created with a standard composition and hand-painted sign, was made to encourage and participate in, public dialogue. Through the posters we address philosophical questions, comment on political or artistic issues, quote, complain, poke fun and indirectly document our lives. They can be read as a kind of cumulative (and often contradictory) artist statement. The 100 Posterworks are disseminated nationally through the mail to a revolving list of recipients."

Sabe quando a gente olha o trabalho de alguém e pensa "eu gostaria de ter participado disso"? Então...










 
  

sábado, 14 de julho de 2012

Moda & inconsciente Olhar de uma psicanalista

"Porque, deixando de lado as diferenças corporais (tamanho, corpulência, cor da pele, etc.) é a partir das roupas que vestimos que os que nos veem formam as suas primeiras impressões a nosso respeito."

"Bastam alguns segundos e a sua postura, o seu gestual, as suas expressões, a sua aparência já emitiram milhares de sinais visuais, automaticamente decodificados, retranscritos, traduzidos, analisados, interpretados por aquele que se encontra à sua frente. Antes mesmo que você emita qualquer palavra, a pessoa que olha para você já experimenta sensações em relação à sua pessoa. Ela já sabe se você é alguém que ela deseja integrar ao seu espaço sensitivo, afetivo, profissional e pessoal..."

"Os olhos fechados, aqueles que olham sem ver e os olhos indiferentes, é o que a moda procura alterar; ela busca despertar o olhar. E, se insistimos tanto sobre sua futilidade, não seria para nos defendermos da sua importância, segundo o mecanismo de "inversão em seu contrário", que os processos do sonho nos ensinaram a conhecer? Dessa maneira, o que o olhar da moda nos revelaria é ao mesmo tempo a nossa vulnerabilidade de ser visto e a de não ser percebido, essa contradição, na qual existir para o outro tem importância desde o primeiro olhar, faz com que seja urgente tanto chamar atenção como se proteger."

A forma como nos colocamos, gesticulamos, nos vestimos é mais importante do que se costuma considerar. Não pelo apelo fútil de uma divisão de classes sociais ou coisa parecida; muito mais do que isso, é uma forma eficiente de se comunicar. O "vestir-se" é "comunicar-se". Pode ser sua arte, grito, esconderijo, apelo. A forma mais escancarada de se autoafirmar como qualquer que seja, ainda que o objetivo seja apenas se esconder ou camuflar no meio da multidão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012


É tão bom descobrir bandas legais que a gente nunca imaginou que poderiam existir! Dá a sensação boa de que ainda tem tanta coisa por aí pra se ver...
Eu descobri Dead Man's Bones por Carla, uma amiga, que outro dia tava falando toda empolgada sobre eles.